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| Vale quer destruir o maior patrimônio de Caeté |
Publicação feita pelo MACACA no Jornal Opinião desta semana:
VALE S/A – PIOR CORPORAÇÃO DO MUNDO –
QUER MINERAR ATÉ A
SERRA DA PIEDADE
A Serra da Piedade se destaca na paisagem, na formação e na
história de Minas Gerais. Ao longo de quase trezentos anos, centenas de
milhares de visitantes, desde humildes romeiros e ilustres viajantes como
Saint-Hilaire, Spix, Martius e outros subiram ao seu cume, louvaram Nossa
Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, exercitaram a fé e encantaram-se
com suas belezas e o horizonte que dela se avista, repleto de outras serras.
Nos séculos XX e início do XXI, seus notáveis atributos
culturais, históricos, culturais e religiosos justificaram a implementação de
medidas de proteção e tombamento, nas esferas federal, municipal e estadual. O
Conjunto Paisagístico da Serra da Piedade é Monumento Natural de Minas Gerais
desde a Constituição de 1989 e patrimônio do Brasil desde 1956 – resultado dos
esforços de Frei Rosário Joffily, antigo reitor do Santuário.
Em 2010 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional – IPHAN aprovou a extensão de tombamento do conjunto arquitetônico e
paisagístico com base no tombamento estadual que, depois de forte movimento da
sociedade civil autodenominado SOS Serra da Piedade, foi regulamentado em 2004
através da Lei nº 15.178/04, que definiu os limites da área de conservação da
Serra da Piedade, e em 21/3/2006, quando o IEPHA finalizou o processo de
tombamento estadual. A implantação do projeto Caminho Religioso da Estrada
Real: de Padroeira a Padroeira,que consiste num roteiro integrado de turismo
religioso, envolvendo 86 municípios, entre os santuários das padroeiras de
Minas Gerais e do Brasil – Nossa Senhora Aparecida, já está em curso e trará
maior visibilidade ainda à relevância do lugar sagrado que é a Serra da
Piedade.
Recentemente tomamos conhecimento que a Vale S.A. entrou, em
junho de 2011, com mandado de segurança preventivo com pedido de liminar, junto
à Justiça Federal em Brasília, para que o IPHAN retrocedesse na ampliação do
tombamento federal, pois seus interesses minerários estavam sendo prejudicados
com essa proteção à Serra da Piedade. No entanto, a única mina da Vale nessa
região , a Córrego do Meio, já se encontra desativada há mais de seis anos, o
que não justificaria tal pedido.
Esta ação da Vale S.A. é uma grave ofensa a Minas Gerais e a
todos aqueles que acreditam que o nosso patrimônio deve ser resguardado de
outros interesses que não os do povo brasileiro. A manutenção integral de bens
como a Serra da Piedade, depositários da identidade de sua gente, não deve ser
ameaçada por ninguém, muito menos por uma empresa que não possui legitimidade
para tal, mesmo que se firme em artifícios pretensamente legais, mas não morais
e éticos.
É inacreditável que até a Serra da Piedade esteja na mira da
agressividade da Vale S.A. em ocupar espaços e territórios. A empresa mostra na
mídia uma imagem de “responsabilidade social corporativa”, em propagandas bem
elaboradas, e atua de forma marginal para poder fazer valer os seus
interesses.”,
Se esta empresa não respeita nem a Serra da Piedade, o que
fará com as Serras da Calçada, Moeda, Rola-Moça e Serrinha, com Congonhas,
Mariana, Patrocínio e com o norte de Minas? Neste momento, sua ganância
desmedida pela Serra do Gandarela, última grande área preservada da região
metropolitana de Belo Horizonte e do quadrilátero ferrífero, depositária de
riquíssima biodiversidade, paisagens e águas, leva a Vale S.A. a fazer tudo
para que o Parque Nacional da Serra do Gandarela, proposto pelo ICMBio em
outubro de 2010, não seja criado ou que seja totalmente mutilado na sua
proposta original.
Esta é a verdadeira face da Vale S.A., herdeira de uma
privatização contestada. Em sua busca de lucros crescentes a empresa impacta
significativamente o meio ambiente, avança sobre territórios com condições
socioambientais vulneráveis, desconsidera as reivindicações e acordos firmados
com comunidades afetadas, nega direitos de pessoas que trabalham para ela e
desrespeita a legislação, segundo a Articulação Internacional dos Atingidos
pela Vale. Por isso foi eleita, em janeiro deste ano, a “pior corporação do
mundo” (Prêmio Public Eye Awards), através de votação mundial pela internet.
Tentar retroceder conquistas legítimas da coletividade, como
o tombamento histórico e paisagístico da Serra da Piedade, é exemplo claro de
que a Vale, nascida em Minas Gerais, com todo o seu discurso de empresa “verde-amarela,
não respeita um dos mais importantes referenciais paisagísticos e culturais de
nosso Estado e, assim, seu lema institucional regional “Se é importante para
Minas é importante para a Vale” reflete uma mentira!
Minas Gerais, 10 de fevereiro de 2012
SOS Serra da Piedade
Movimento Serras e Águas de Minas
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E o Blog do Gustavo Pinheiro, responsável por diversas matérias e também pela coluna "Higt Society" do mesmo jornal, informa que a audiência pública que discutirá a situação do nosso transporte intermunicipal foi marcada para dia 29 de fevereiro, às 20h, no salão paroquial, em José Brandão. Devemos comparecer!

1 comentários:
Thaynara, Bom Dia.
Gostaria de parabenizar pela publicação e dizer que pode contar comigo pois também concordo que VALE não deve mexer nesse lugar maravilhoso que DEUS crio, e na minha opinião esse e o melhor lugar. Não e justo uma Mineradora querer acabar com um patrimônio que deveria ser da Humanidade apenas pensando em si própria. no ano passado ela chegou a faturar milhões e milhões! sera que isso não e o suficiente, ela precisa de mais? Devemos nos unir para que isso não acontece jamais!
Obrigado! e Parabéns!!
Filipe Carmo.
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